A Ciferal é uma encarroçadora de ônibus brasileira e foi fundada em 11 de outubro de 1955, e instalou-se primeiramente em Ramos, na cidade do Rio de Janeiro, pelo austríaco Fritz Weissmann. Sua família já tinha experiência na fabricação de carrocerias desde 1927, quando o pai de Fritz, Karl, fazia carruagens para Franz Joseph I, imperador da Áustria e rei da Hungria. Por perseguições políticas, a família veio ao Brasil. Mas antes, em 1948, o irmão de Fritz, Franz Weissnmann fundava a encarroçadora Metropolitana, no Rio de Janeiro.
A empresa fabricou o primeiro ônibus urbano em 1957 e o primeiro ônibus brasileiro com ar condicionado individual para os passageiros. Em 1961, a encarroçadora conquistou seu primeiro grande cliente, a Viação Cometa, que não podia mais importar ônibus dos Estados Unidos, devido à política de restrição de importações que começou naquela época.
A empresa tem destaque no mercado por ter sido uma das primeiras do país a usar duralumínio (uma liga metálica com base no alumínio) na carroceria. No início dos anos 70, a empresa juntou-se às encarroçadoras Cribia e Metropolitana. A Metropolitana, porém, foi vendida à Caio anos depois.
Em 1979, lança o modelo novo de carroceria em duralumínio chamada Araguaia:
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| Ciferal Araguia |
Em julho de 1981, o modelo rodoviário de longa distância Tapajós, sobre chassi Volvo B-58.
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| Ciferal Tapajós |
Em 1981 foi também criado um projeto de tróleibus chamado Padron Amazonas. Foi desse projeto que surgiu o Padron Briza, em 1983. Daí, o ônibus recebeu o nome de Padron Alvorada em 1985.
A Ciferal foi pioneira no projeto e desenvolvimento dos trólebus da nova geração para São Paulo, com desenho inovador tipo Padron.
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| Padron Amazonas |
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| Padron Briza |
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| Padron Alvorada |
A Ciferal chegou a ser estatal, nos anos 80, quando foi protagonista de uma crise financeira. A crise teve auge quando a empresa deixou de produzir as encomendas da Viação Cometa - conhecidos como Dinossauro - levando-a a criar uma encarroçadora própria, a CMA, e levando profissionais da Ciferal para fabricar nos ônibus customizados da empresa. E com o cancelamento de um pedido de 2 mil trólebus (ônibus elétrico) encomendado pela CMTC, empresa municipal de ônibus de São Paulo, somado aos efeitos da inflação e por problemas administrativos, a Ciferal entra em falência em 1982.
A crise teve ainda uma espécie de cisão, quando sócios da Ciferal abriram a Ciferal Paulista, uma espécie de filial da Ciferal em São Paulo, que pouco depois foi transformada em Condor, com produção de carroceria para ônibus médio, com grande aceitação. Do mesmo modo, em Pernambuco, surgiu a Reciferal (que ficava no Recife).
Os carros da Ciferal Paulista e da Reciferal tinham diferenças de acabamento em relação aos modelos Tocantins da Ciferal, basicamente em lanternas e desenhos de tampas do motor. Essa questão, creditam analistas da época, foi crucial para a crise da encarroçadora, que teve mais concorrentes no mercado.
O Governo do Rio de Janeiro, comandado por Leonel Brizola, não deixa a empresa sumir de vez do mercado, e decide pela compra da Ciferal e o governo assume o controle da empresa. A fábrica desenvolveu jardineiras - ônibus especiais para passeios turísticos em praias - e ônibus novos para a CTC-RJ, estatal de ônibus. Pouco depois, a falência foi substituída por concordata e em 1984 foi leiloada, tendo sido arrematada por R$ 18 milhões, pagos aos ex-proprietários, o Banco de Desenvolvimento do Rio de Janeiro e a Justiça fluminense. Mesmo assim, em 1986, após uma ameaça de paralisação devido à concordata, a empresa se recupera e apresenta, em março desse ano, vários modelos novos como: Fenix (urbano e interrnunicipal, sobre chassi Mercedes-Benz, Volvo ou Scania); Padron Alvorada (urbano e interrnunicipal, com comprimento de 10,70 m a 12 m, sobre chassi MBB, Volvo ou Scania); Tapajós (rodoviário, com comprimento de 10,55 m a 13,20 m sobre chassi MBB ou Volvo); Dinossauro (rodoviário, com comprimento de 13,20 m, sobre chassi Scania ouVolvo); Jardineira (urbano especial, com comprimento de 10,50 m sobre chassi Mercedes-Benz) e Padron Briza (urbano).
Enquanto isso, em São Paulo, a filial Condor, não conseguindo manter a produção, veio a falir. Em maio de 1985 foi constituída nova firma encarroçadora, a Thamco, que arrendou inicialmente, por seis meses, a massa falida da Carrocerias Condor.
Em 1990, a Ciferal adquire, por US$ 12 milhões, a antiga fábrica de caminhões da Fiat, localizada em Xerém, na subida da Serra de Petrópolis, com 85 mil m² construídos e 285 mil m² de área.
Em 1991, no 7° Salão Nacional dos Transportes (Transpo-91), a Ciferal lança o novo modelo Padron-Rio, em substituição ao Padron-Alvorada, sobre chassi Volvo, sendo uma empresa do Ceará a primeira a usar esse tipo de veículo. Na cidade do Rio de Janeiro, a primeira empresa foi a Pavunense. A Ciferal apresentou também um novo modelo só para exportação, o Carnaval. A fabricação do Padron Rio foi descontinuada em março de 1994. Suas linhas foram reutilizadas posterioremente no Padron Cidade.
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| O 1º Padron Rio foi adquirido pela empresa São Paulo de Maranguape-CE |
Em 12 de abril de 1994 lança o novo rodoviário chamado Cursor, nas versões 3,60 e 3,40, ultima tentativa da Ciferal de voltar ao mercado de carrocerias rodoviárias.
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| Ciferal Cursor 3.60 |
E em setembro de 1994 apresenta a carroceria GLS sobre nova plataforma da Mafersa M-290-A (articulado).
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| Ciferal GLS Aticulado |
Finalmente, em 19 de dezembro de 1995, a empresa é privatizada e passa a ser controlada por algumas dezenas de empresários de ônibus. Os compradores criaram uma holding, a R.J. Administrações e Participações, que passaria a deter todos os ativos da Ciferal Comércio e Indústria. O ano de 1996 se inicia, então, com novo logotipo, e é lançada a carroceria GLS BUS (urbana e intermunicipal), com a frente inclinada.
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| Ciferal GLS BUS 1995 |
Em 1997, foi Lançado o Padron Cidade, no qual foi fabricado duas versões, a primeira fabricada entre 1997 e 1998 e a segunda entre 1998 e 1999, que sofreu uma reestilização.
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| Ciferal Padron Cidade II 1999 |
Em 1999, parte da Ciferal é Adquirida pela Marcopolo e é lançado o modelo Turquesa, baseado na segunda versão do modelo Torino GV. Sua produção foi descontinuada em 2002 e substituída pelo modelo de baixo custo Citmax.
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| Ciferal Turquesa 1999 |
Em 2001 a Ciferal foi integralmente adquirida pela Marcopolo S.A. Com investimentos em melhorias estruturais, tecnológicas e humanas, foram implantados novos layouts industriais e administrativos no parque fabril, a fim de aumentar sua eficiência e reduzir custos. Tendo como modelo os processos das demais fábricas Marcopolo, uma central de resíduos foi construída para atender às necessidades da legislação ambiental e proporcionar melhores condições de trabalho aos seus colaboradores.
Em 2003 a Ciferal lança o Citmax, De linhas semelhantes à segunda versão do Padron Cidade, é um modelo de baixo custo, caracterizado pelo menor peso, menor altura do veículo (15 cm menor que o de um modelo convencional), pára-brisas semiplanos e escadas em fibra de vidro. Por ser um modelo de baixo custo, é encarroçado apenas em chassis com motorização dianteira.
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| Ciferal Citmax |
Em 2004 a Ciferal lança o Minimax, mais novo microônibus urbano do mercado brasileiro. Com peso 300 quilos menor que o dos concorrentes e manutenção simples e fácil, o veículo destacou-se pelas características de funcionalidade para o transporte em centros urbanos.
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| Ciferal Minimax |
A Ciferal encerrou sua linha de produção em 2007 com o Citmax, e hoje só produz os urbanos Torino e Viale, que leva a marca da Marcopolo.
Fonte: Coletânea de informações de vários blogs e sites.